Em 1996 a Collem foi responsável pela grande reforma do Museu de Arte da Pampulha.

Viabilizada pelo patrocínio do Banco Real e da Fundação Roberto Marinho. A partir desse momento, o museu passa a contar com salas multimídia, biblioteca, café, bar, lojas etc., e tem sua infraestrutura técnica e organização museológica renovadas. Exposições periódicas com obras do acervo, além da divulgação da produção contemporânea, fazem parte da agenda do museu, que ajuda a promover ainda o Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte, do qual faz parte a Bolsa Pampulha para jovens artistas.

Hoje recebemos a notícia que oito renomados profissionais escolheram construções da capital que se diferenciam por ser únicas em projetos arquitetônicos arrojados. Temos orgulho em fazer parte da história do Museu de Arte da Pampulha – MAP, uma das construções selecionadas. A matéria sobre a seleção está disponível em: https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2020/03/02/noticia-e-mais,256385/conheca-os-predios-mais-belos-de-bh-eleitos-por-arquitetos.shtml

Localizado no conjunto arquitetônico da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer entre 1942 e 1944, o Museu de Arte da Pampulha (MAP) foi inaugurado em 1957. O projeto de criação de um museu de arte moderna e contemporânea em Belo Horizonte visava atualizar culturalmente a capital mineira, que nos anos 1940 – 1950 assistia à significativa expansão física e populacional.

O então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitscheck, encomendou a construção de uma série de edifícios em torno do lago artificial. O complexo da Pampulha previa cinco edifícios: um cassino, um clube de elite, um salão de danças popular, uma igreja e um hotel (que não foi construído). A obra foi projetada de forma que cada elemento do conjunto pudesse ser visto de forma independente e autônoma. Além disso, os edifícios foram pensados em estreita relação com o entorno, que forneceria a moldura natural e a inspiração para os desenhos e plantas. O centro do projeto, de acordo com a encomenda, deveria ser o cassino, que com a proibição do jogo no país em 1946, foi adaptado para ser sede do então Museu de Arte da Pampulha.

Do alto da península que domina o lago, o prédio do cassino foi concebido a partir da alternância de volumes planos e curvos, de jogos de luz e sombra. O bloco posterior em semicírculo estabelece um contraponto em relação à ortogonalidade do salão de jogos. O rigor das retas é quebrado pela parede curva do térreo e pela marquise irregular. O sentido vertical em que estão dispostos os caixilhos, por sua vez, se opõe à horizontalidade da construção. As superfícies envidraçadas e as finas colunas que sustentam a marquise são outros elementos a dotar de leveza o conjunto. O uso do vidro – também na escadaria que liga o restaurante ao terraço – é mobilizado em função da luz e da comunicação entre interior e exterior. Nos jardins projetados por Burle Marx (1909-1994), esculturas de August Zamoyski (1893-1970), José Pedrosa(1915-2002) e Alfredo Ceschiatti (1918-1989).

Por ser uma obra arrojada e de grande complexidade, a reforma de 1996 feita pela Collem, foi um grande desafio, uma vez que se tratava de uma edificação de grande interação plástica, possuindo superfícies retas e curvas, integradas pela contraposição de materiais como concreto, vidro, azulejos, espelhos e pilotis de aço inox.

Como reconhecimento de sua importância para a identidade cultural do país, a edificação mereceu o tombamento nas três esferas: federal, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN (1994); estadual, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais/IEPHA-MG (1984) e municipal, pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte/CDPCM/BH (1994). Em 2016 o Conjunto Moderno da Pampulha, do qual o MAP faz parte, foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.